Base
Bíblica: “Mais tarde, na casa de Levi, Jesus e seus discípulos estavam à
mesa, acompanhados de um grande número de cobradores de impostos e outros
pecadores... Quando alguns fariseus, mestres da lei, viram Jesus comer com
cobradores de impostos e outros pecadores, perguntaram... ‘Por que ele come com
cobradores de impostos e pecadores?’. Ao ouvir isso, Jesus lhes disse: ‘As
pessoas saudáveis não precisam de médico, mas sim os doentes. Não vim para
chamar os justos, mas sim os pecadores’.” (Marcos 2:15-17 | NVT)
Assim que Levi
foi chamado por Jesus, a sua primeira reação foi organizar um banquete e
convidar todos os seus amigos "pecadores". O que se desenrola a
seguir é um embate direto entre duas visões de mundo. De um lado, os fariseus,
que acreditavam que a santidade era frágil e pegava contágio. Do outro, Jesus,
que sabia que a graça é mais forte que o pecado e que a saúde divina é o que
contamina o ambiente.
Muitas vezes as
nossas reações e as nossas atitudes se alinham com um desses dois modelos. Louvado
seja Deus, que o Senhor Jesus nos ensina algumas lições para a cura das nossas
relações. Na cultura judaica, sentar-se à mesa com alguém era o selo definitivo
de aceitação, intimidade e paz.
O Senhor Jesus
não exigiu que os cobradores de impostos mudassem de vida antes de
sentarem à mesa: a cura aconteceu através da mesa. Nos nossos lares, podemos
entender a mesa de jantar é o maior termômetro da saúde familiar. Quando um
sistema está adoecido, a mesa vira um tribunal de cobranças, um ambiente de
silêncio constrangedor ou um lugar em que todos olham para os celulares.
Revitalizar e transformar uma casa passa por resgatar a mesa como um espaço
seguro, uma "clínica" na qual a graça é servida antes da correção.
Os fariseus
operavam a partir de "fronteiras rígidas". Para se protegerem do
erro, eles excluíam, isolavam e levantavam muros. Muitos pais e líderes fazem o
mesmo: para proteger a família ou a igreja, eles criam uma bolha de isolamento,
cortando relações com quem pensa diferente ou erra. O Senhor Jesus, por ter uma
identidade perfeitamente estabelecida, tinha fronteiras permeáveis. Ele podia
entrar na casa de Levi, sentar-se com pecadores e amá-los sem perder a Sua
essência. Pais e líderes curados não precisam se esconder do mundo pois são uma
presença que transforma o mundo à sua volta.
A declaração
final de Jesus é devastadora: "As pessoas saudáveis não precisam de
médico". O Senhor Jesus afirma que o Seu não pretende alcançar quem se
acha "justo". A cura de um casamento, de uma família ou de uma comunidade
de fé só começará no momento exato em que tivermos a vulnerabilidade de bater
no peito e dizer: "Senhor, eu também sou um doente precisando do Teu
remédio".
Conselhos
Pastorais:
- Resgate a Sua Mesa: Como tem sido o clima
das refeições na sua casa? Faça um esforço intencional hoje para promover
uma refeição em família sem telas, sem cobranças e sem pressa, apenas
celebrando a presença uns dos outros.
- Derrube os Muros da Exclusão: Você tem agido
como fariseu, excluindo ou tratando com frieza alguém da sua família (ou
igreja) só porque essa pessoa não atinge o seu padrão de
"justiça"? Troque o distanciamento pelo acolhimento hoje.
- Desça do Pedestal: Se houver uma área de
tensão no seu lar, não assuma a posição do "saudável" que aponta
o dedo para o "doente". Reconheça a sua parcela de culpa no
conflito e admita a sua própria necessidade de mudança.
Oração do
Dia: “Senhor Jesus, nós Te agradecemos porque Tu não exigiste que fôssemos
perfeitos para nos convidares para a Tua mesa. Tu nos amaste e te sentaste
conosco no meio da nossa bagunça. Infelizmente, frequentemente, nós assumimos uma
postura contrária, pois julgamos os outros, isolamos a nossa família em bolhas
de orgulho e nos achamos mais justos do que realmente somos. Senhor, por favor
e misericórdia, nos ensine a fazer da nossa casa uma clínica de graça. Que a
nossa mesa seja um lugar de acolhimento. Dá-nos a coragem de admitirmos as
nossas próprias doenças emocionais e espirituais, para que o Teu poder opere
livremente em nós. Em Teu nome, Amém.”