Base Bíblica: “Vocês pensam que eu tenho prazer na morte do ímpio? — diz o Senhor Deus. Não desejo eu muito mais que ele se converta dos seus caminhos e viva?” (Ezequiel 18.23)
O contexto de Ezequiel 18 trata
de um povo que estava sofrendo as consequências dos seus próprios erros e dos
erros das gerações passadas. No meio desse cenário de julgamento, nosso Deus
faz uma pausa para revelar a essência do Seu caráter. Ele faz uma pergunta que
transforma toda a nossa lógica humana de vingança: Vocês acham que eu
gosto de ver o mal dominando os corações humanos?
Nós temos uma inclinação perigosa
para o punitivismo. Quando um cônjuge falha, quando um filho ou filha comete um
erro ou quando um membro da equipe nos decepciona, a nossa resposta instintiva
é o "corte emocional" (o distanciamento agressivo) ou o desejo
secreto de ver aquela pessoa "pagar" pelo que fez. É assustadoramente
fácil desenvolvermos um "prazer" secreto quando vemos alguém que nos
ofendeu sofrendo as consequências dos seus atos. Nós chamamos isso de
"justiça". Mas nosso Deus declara que Ele não tem nenhum prazer na
destruição de quem erra. Pessoas diferenciadas emocionalmente não celebram a
queda do outro. A verdadeira transformação começa quando o nosso coração se
alinha ao de Deus: passamos a odiar o pecado, mas ansiamos profundamente pela
cura do pecador.
Há diferença entre consequência
e punição? "Não desejo eu muito mais que ele se converta... e
viva?". Em casa, quando disciplinamos um filho ou filha, qual é o
nosso objetivo final? Se o objetivo for apenas fazê-lo/a "sofrer"
pelo que fez, estamos operando em um sistema punitivo tóxico. Um sistema
redentivo entende que as consequências e os limites devem existir, mas o alvo
final de toda correção é a vida. Nós confrontamos, estabelecemos limites
e aplicamos a disciplina não para destruir ou humilhar a pessoa, mas para
despertá-la, para que ela mude de caminho e volte a viver em abundância.
Quando olhamos para alguém que
tomou caminhos tortuosos (um familiar afastado, um jovem rebelde, um casamento
à beira do abismo), a ansiedade e o cansaço nos fazem desistir e rotular aquela
pessoa como um caso perdido. Nosso Deus recusa esse rótulo. O Seu desejo ativo
é a conversão e a vida. Enquanto houver fôlego, não podemos fechar a porta da
graça. O nosso papel é manter a "luz da varanda acesa", sendo
ambientes seguros para onde o arrependido possa voltar e encontrar vida, e não
acusação.
Conselhos Pastorais:
- Sonde o Seu Coração: Existe alguém que o
feriu profundamente e que, no fundo, você sente um "prazer" em
ver enfrentando dificuldades? Confesse esse sentimento a Deus. Peça a Ele
que lhe dê o mesmo desejo redentivo de ver essa pessoa curada e
transformada.
- Ajuste o Foco da Disciplina: Se você precisa
realizar alguma correção cheque as suas intenções. Deixe claro que a
correção não é uma vingança pelo seu orgulho ferido, mas um instrumento
para proteger o futuro e a vida daquela pessoa.
- Ore Pela Vida: Escolha hoje uma pessoa que o
seu sistema familiar ou a sociedade já "descartou" como
irrecuperável. Faça a mesma oração de Deus: interceda intensamente para
que ela se converta dos seus caminhos e encontre a verdadeira vida.
Oração do Dia: “Senhor
nosso Deus, como os Teus pensamentos são mais altos que os nossos. Confessamos
que, em muitas ocasiões, o nosso senso de justiça é apenas um desejo disfarçado
de vingança. Queremos ver aqueles/as que erram conosco pagando um preço alto.
Perdoa a dureza do nosso coração! Dá-nos o Teu coração pastoral. Que as nossas
famílias e a nossa igreja sejam ambientes de redenção, onde o foco da
disciplina seja sempre a restauração, o arrependimento e a vida. Em nome de
Jesus, Amém.”
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